É inerente ao ser humano uma linguagem única, a qual não se limita as cercas embandeiradas que separam quintais. É a linguagem universal, uma linguagem em que não se faz necessário tão somente o uso de palavras, extrai-se o sentimento e transmite-se a ideia.
Certa vez alguém veio a terra e despertou algo que estava esquecido, que abranda a cólera, afaga a dor e afasta a ira. Humildemente escolheu nascer em meio a simplicidade de uma manjedoura, lembrando aos homens que a verdadeira riqueza esta em ser, frente ao ter. Sabiamente usava a linguagem universal para lembrar que existe algo além do que se vê. Usando figurações tão simples quanto sua existência, trazia a essência da linguagem universal, desta forma encantava, mais do que isso, induziu o ser humano ao ato da reflexão o qual estava perdido.
A universalidade dos sentimentos permite ao ser humano buscar nas mais remotas memórias de seu inconsciente os porquês. Ao se deparar com uma pintura ou imagem, o homem estabelece uma relação com a obra que lhe traz um coquetel de sentimentos fazendo-o perceber detalhes que outrora não percebera, usa da linguagem concernente a todos os seres irmãos.
Não é preciso ter vivenciado a época da guerra do Vietnã para sentir o horror que inundava as mentes da população envolta em sangue, ao fitar a imagem da criança ardendo em chamas sente-se um ardor na própria alma - imagem esta que se tornou o símbolo da brutalidade humana nos referidos eventos. Mesmo após trinta anos a imagem continua a chocar, lembrando a existência da linguagem dos sentimentos humanos.
A rejeição da importância da linguagem dos sentimentos por parte da sociedade, da azo a individualidade fazendo com que esta se prenda numa redoma em que a redenção se encontra ao derrubar as cercas embandeiradas que separam quintais.
Estranho, mas faz sentido, eu acho...
Daniel Albherto Gabiatti
Gabriel Nunes Andreolli
Gabriel Nunes Andreolli

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